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ESCOLHA DE CARREIRA E PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL: SETEMBRO AMARELO NO COTIDIANO

O dia 10 de setembro é considerado o dia mundial da prevenção ao suicídio, data que

começou a ser trabalhada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2003. O principal

objetivo dessa data é dar visibilidade ao assunto, conscientizando a população para o fato de

que o suicídio é prevenível. Para além dessa data, no Brasil, o mês de setembro é considerado

o mês de prevenção ao suicídio, mas conhecido popularmente como Setembro Amarelo.

Segundo informações da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização

Pan-Americana de Saúde (OPAS), o suicídio está entre as 20 principais causas de morte

entre pessoas de todas as idades, sendo a segunda causa entre jovens de 15 a 29 anos.


Em todos os anos a campanha da OMS traz um tema que serve de mote para as ações e no

ano de 2020 o tema “Trabalhando Juntos para Prevenir o Suicídio”. Esse tema nos leva ao

entendimento de que, apesar de ser considerado um problema de saúde pública, a prevenção

do suicídio se dá nas mais diversas esferas: no acesso a direitos e serviços; nos

relacionamentos interpessoais e familiares; nos ambientes acadêmico, de trabalho, de lazer,

religiosos etc. Também é importante destacar que, além de ter causas multifatoriais (ou seja,

não é possível atribuir uma única causa ao comportamento suicida), é um comportamento que

costuma expressar “a gota d’água” e se manifestar em movimentos que o sofrimento atinge

um nível extremamente intenso, e que isso não acontece de uma hora para a outra.


Um dos grandes momentos para muitos/as jovens em nossa sociedade é a entrada na

Universidade, que marca a transição do ciclo de vida da fase da adolescência para a fase

adulta, e muitos questionamentos perpassam as vivências universitárias, afinal, é uma

conquista que gera mudanças muito significativas na rotina e no modo de vida dos/as

estudantes. Ao final da graduação, junto com a alegria da conquista do diploma e de uma

profissão, vêm as incertezas de uma nova mudança: a inserção no mercado de trabalho e a

consolidação da sonhada profissão. Todos os momentos de grandes mudanças (sejam elas

positivas ou negativas, esperadas ou não) têm o potencial de gerar estresse e alterações na

saúde mental e na qualidade de vida das pessoas, sendo esses momentos considerados

fatores de risco para o desenvolvimento de sinais e sintomas de transtornos mentais.


Mas o que seria saúde mental? Definir o que é saúde mental é sempre um desafio, visto que

não há somente um aspecto biológico que possa dar conta desse conceito. A definição mais

aceita pelos profissionais de saúde hoje é aquela que diz que saúde mental é um estado de

bem-estar biopsicossocial no qual o indivíduo é capaz de utilizar de seus próprios recursos e

habilidades para enfrentar os desafios que se apresentam ao longo da vida. Ainda, para a

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), “Ter uma boa 'saúde mental' é poder vivenciar as emoções

que nos tocam em nosso caminho e conseguir elaborá-las e relacioná-las ao conjunto de

vivências que carregamos conosco, transformando e sendo transformados pelos eventos da

vida".


Diferente do que o senso comum pensa, saúde mental não significa ausência de doenças,

transtornos ou sofrimento, mas sim esse estado no qual a pessoa é capaz de encontrar suas

próprias soluções e construir narrativas significativas em torno de suas vivências. Saúde

mental também não significa estar sempre feliz, alegre, sorridente e satisfeito. Significa, sim,

ter recursos internos e externos para lidar com situações de tristeza, frustração e outros

sentimentos difíceis, elaborando os, conseguindo produzir uma síntese que leve a superação

desses momento difíceis e continuidade da vida.


E um dos desafios mais importantes de grande parte da população jovem é a escolha de uma

carreira. Toda mudança de grande impacto tem o potencial de produzir comportamentos,

sentimento e pensamentos muito diferentes daqueles que temos numa rotina usual. Dessa

forma, durante um período de mudanças e adaptações, é normal nos sentirmos mais

preocupados, ansiosos, agitados, com dificuldade de prestar atenção ou ficarmos com aquela

sensação de estarmos perdidos e não saber por onde começar. Isso acontece porque as

estruturas externas que nos ajudavam com a estabilidade foram modificadas, e até que

possamos nos estabilizar novamente, é normal sentirmos insegurança.


Em vista do período de transição que vai dos últimos períodos da graduação até a colocação

num primeiro emprego minimamente satisfatório, como podemos cuidar da nossa saúde

mental para passarmos por essa fase da melhor maneira possível? Em primeiro lugar,

precisamos identificar quais circunstâncias estão ao alcance da minha ação individual, quais

precisam de um engajamento coletivo, e quais não estão ao meu alcance no momento. Uma

das maiores fontes de ansiedade no cotidiano é a falta de organização e planejamento dos

nossos objetivos e das nossas ações, levando a uma dificuldade de perceber o que pode ser

feito de maneira espontânea e o que precisa de um planejamento mais detalhado.


Algumas decisões precisarão ser tomadas ao longo do curso de graduação e principalmente

ao final dele: qual a área de trabalho mais me causa entusiasmo? Nessa área, qual o assunto

me chama mais atenção? Como eu poderia trabalhar esse assunto num estágio ou num

trabalho de conclusão de curso (TCC)? Onde existe possibilidade de atuar nessa área? Eu

estou disposto a mudar de cidade/estado/país para buscar esse trabalho? Quais as formações

complementares eu preciso para iniciar? Como é a rotina de trabalho, a carga-horária, a média

de remuneração etc.? Essa e outras questões podem ajudar a ter as primeiras ideias de ações

necessárias para alcançarmos nossos objetivos após a formatura.


Ao nos fazermos essas perguntas, estamos estimulando um tipo de pensamento planejado

sobre o assunto, o que nos ajuda a definir os próximos passos. Em nossa sociedade

imediatista e competitiva, é comum que a pressão pelo alcance do objetivo final de maneira

muito rápida nos cause a impressão de que nunca conseguiremos chegar no nosso alvo. Mas

não foi assim também com a graduação?! Outra situação muito comum é nos espelharmos

nas grandes figuras-modelo de nossas profissões sem termos contato com todas as pequenas

ações e até fracassos e frustrações que fizeram parte da trajetória delas; focamos somente

nas experiências que deram certo e criamos uma tendência a nos sentirmos incompetentes

na primeira frustração que enfrentamos. Pensar em pequenos passos nos permite construir,

aos poucos, o nosso caminho de acordo com aquilo que podemos e queremos no momento,

mostrando-nos os pequenos sucessos da caminhada.


E lembre-se: diante de tudo o que foi abordado, é normal que em momentos de grandes

mudanças apareçam sentimentos, pensamentos e comportamentos que normalmente não

apresentamos. Isso tende a desaparecer ao longo do processo de adaptação. Mesmo assim,

é importante destacar que existem maneiras de melhorar essa passagem. Caso perceba que

as mudanças nos sentimentos e nos comportamentos não estão melhorando, é preciso

procurar atendimento profissional. Na Universidade Tecnológica Federal do Paraná câmpus

Guarapuava (UTFPR-GP) você pode encontrar apoio profissional no Núcleo de

Acompanhamento Psicopedagógico e Assistência Estudantil (Nuape/Deped) pelo e-mail

nuape-gp@utfpr.edu.br. Também é possível encontrar atendimento nas Unidades Básicas de

Saúde (UBS) municipais. Além disso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece

acolhimento por telefone, chat ou e-mail 24h por dia.


Referências


ATENÇÃO PSICOSSOCIAL E SAÚDE MENTAL DO CENTRO DE ESTUDOS E

PESQUISAS EM EMERGÊNCIAS E DESASTRES EM SAÚDE (CEPEDES/FIOCRUZ).

Orientações ao trabalhadores dos serviços de saúde. Material digital disponibilizado aos

participantes do curso de atualização à distância “Saúde Mental e Atenção Psicossocial na

Covid-19.

Centro de Valorização da Vida. https://www.cvv.org.br/

MINISTÉRIO DA SAÚDE. “Trabalhando Juntos para Prevenir o Suicídio”: 10/9 - Dia

Mundial de Prevenção do Suicídio. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/ultimas-


noticias/3286-trabalhando-juntos-para-prevenir-o-suicidio-10-9-dia-mundial-de-prevencao-

do-suicidio>. Acesso em: 21 set. 2020.


ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Em Dia Mundial de Prevenção do Suicídio,

OMS ressalta importância de parcerias e ações de combate. Disponível em:

<https://news.un.org/pt/story/2020/09/1725792>. Acesso em: 21 set. 2020.


Fernanda de Oliveira Pavão Mascarin – psicóloga CRP-08/18906, especialista em Gestão

Pública. Contato: fmascarin@utfpr.edu.br

Atua no Departamento de Educação (Deped) da UTFPR-GP.

Colaboradora das comissões Étnico-racial e Setorial Centro-oeste do Conselho Regional de

Psicologia do Paraná (CRP-PR)

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